sexta-feira, 19 de novembro de 2010

SÍMBOLOS Colocando o prumo: Templo sagrado, GADU, postura e vida após a morte


Não sei a partir de quando os nossos „usos e costumes‟ adotou o termo “Templo” para denominar os locais das práticas ritualísticas maçônicas. Com o tempo, tal prática desdobrou-se para “Templo Sagrado” e se afastou ainda mais do simbolismo inicial das profanas Tabernas, local onde os maçons operativos reuniam-se para troca de conhecimentos, discussões sobre ajuda às suas famílias (mútua) e um ágape fraterno. Com certeza os maçons operativos avocavam a proteção de Deus em suas reuniões – lembremos que na Europa da época era perigoso negar a influência da religião –, mas daí a considerar aquele ambiente como sagrado... Com o advento da maçonaria especulativa, que pouco a pouco se tornará humanística e passará a referir-se à construção de um novo homem utilizando como analogia simbólica a construção do Templo de Salomão, a ideia de “Templo Sagrado” apresenta-se como paradoxal, uma vez que simbolicamente “o Templo de Salomão está em construção”, portanto inacabado e ainda não consagrado. Os maçons estão construindo a obra. Em alguns ritos, eles trabalham dentro do Templo inacabado com diversos adornos já colocados em seus lugares, como os altares, corda, colunas etc., mas a sessão litúrgica será mais bem compreendida como uma “etapa da obra”; o limite de concessão simbólica que me permito é o entendimento de que o andamento da obra está sendo supervisionado pelo Venerável Mestre, que representa a Sabedoria, e nos remete à figura de Salomão. E olhe lá. Não podemos perder de vista que o „templo‟ a ser construído é o templo interior do homem. As edificações, por mais bonitas e imponentes que se apresentem, são somente prédios sem qualquer caráter religioso. O ritual de „sagração‟ das Lojas é um ato de puro simbolismo maçônico para designar que aquele local, de certa forma, esta separado do mundo não maçom („profano‟), mas, com certeza, esse ritual não lhes atribui qualquer condição de locais para práticas religiosas, tais como: “Casa de Milagres ou de Orações”, “locais de oferendas ou curas” etc. muito menos de exigência de locais de comportamento beato. Para evitar tais equívocos, sugiro que resgatemos os conceitos de “Lojas” e “Oficinas”. Outra correção que me cabe colocar a prumo é a confusão que se faz entre os conceitos de Grande Arquiteto do Universo (GADU) – e de Deus. Insisto em afirmar que o Grande Arquiteto do Universo não é o Deus DAS religiões; mas, sim, é Deus NAS religiões. A diferença é sutil, mas essencial. O Deus do maçom é o próprio Deus da religião por ele professada. Os maçons têm um respeito mútuo pelo Grande Arquiteto do Universo enquanto Ele segue sendo Deus em suas respectivas religiões. Não é missão da maçonaria, tratar de unir credos religiosos diferentes; não existe, portanto, um Deus maçônico único. O conceito de Grande Arquiteto do Universo, na maçonaria, não privilegia nenhuma concepção de Deus em particular. Na maçonaria a crença no Grande Arquiteto do Universo é uma realidade filosófica, e não dogmática, traduz uma ideia de entidade dinâmica, um foco social que evolui enquanto se mescla a moralidade e as necessidades da época, moldando e guiando o maçom em seu processo evolutivo de construção de um novo homem.

É preciso entender a diferença entre os conceitos de “Arquiteto” – aquele que constrói, edifica, ergue uma construção utilizando na obra materiais pré-existentes –, e de “Deus (das religiões)” – o creador de tudo, isto é,
aquele que faz surgir tudo a partir do nada. Nesse contexto, a maçonaria pretende construir um novo homem, retificado moralmente, a partir de um homem bruto existente, portanto, essa transformação deve ser entendida apenas como uma obra de arquitetura moral, sem qualquer caráter religioso. Se alguém entender o conceito de Grande Arquiteto do Universo como "a energia gerada pelo Big Bang que iniciou o processo evolucionista na Terra", tal pensamento, sob a ótica da maçonaria humanista, não deverá ser considerado uma heresia. Outro assunto fora de prumo, motivo de discussão entre os irmãos, é o conceito de „postura‟. Quantos aborrecimentos poderiam ser evitados pelo simples fato de se ter consagrado como correto um irmão, atropelando a ritualística, chamar a atenção de outro, com veemência – principalmente de „aprendiz‟ – para que se sente „em posição receptiva‟: erecto, as mãos sobre as coxas etc. para não quebrar a „egrégora‟. Se um irmão, em um momento de descuido, é flagrado „cruzando as pernas‟ ou „com os braços às costas das cadeiras laterais‟..., pronto, a TOLERÂNCIA é mandada às favas. Afinal, quem está certo ou errado? Não é uma questão de se fazer apologia aos maçons „sem modos‟, „sem educação‟, afinal estamos numa „escola de virtudes‟ e o nosso aprendizado irá influenciar diretamente em nossa vida profana, assim sendo, desde logo se deve instruir e cobrar dos aprendizes – de forma fraternal – uma postura "adequada" a um ambiente dedicado a estudos e aprendizagem, ou seja, que lhe permita concentração e atenção, evitando-se posturas que transpareça negligência, tédio, desinteresse ou relaxamento. É uma questão de educação, nada relacionado ao caráter místico de quebra de egrégoras ou correntes espirituais. Finalizando, trago o prumo à discussão sobre a alegoria maçônica da "vida após a morte". A ressurreição sugerida pela maçonaria reside na visão filosófica da palingenesia, que segundo Schopenhauer refere-se ao renascimento sucessivo dos mesmos indivíduos, ou seja, a condição do homem em se transformar em Vida e não da forma como a apresentam os teólogos defensores do retorno do espírito ao corpo que ocupará até o juízo final. A Ressurreição, sob o ponto de vista dos dogmas religiosos, não é discutida nem preconizada nos ensinamentos maçônicos, uma vez que a maçonaria, por seu caráter ecumênico, defende a liberdade religiosa de seus adeptos e, consequentemente, respeita a crença de cada irmão e não aceita no interior de suas lojas proselitismo, nem discussões, de caráter religioso. O sistema especulativo da maçonaria esta fundamentado no conceito de evolução e progresso nessa vida, não na premissa teológica da promessa de vida eterna. Dentro desse contexto, entendo como inócuo frequentar a maçonaria com a preocupação de se postar, dentro do "Templo Sagrado", em posição receptiva – de modo a não quebrar a egrégora – „rezar‟ solicitando graças e bênçãos ao GADU, acreditando que assim procedendo estará corroborando para a obtenção de uma vida melhor após a morte. Eis um desperdício da verdadeira fé e de tempo.

Ir.´. Ubyrajara de Souza Filho, M.´. I.´. da A.´. R.´. L.´. M.´. D´Artagnan Dias Filho

Folha Maçônica Nº 270, 13 de novembro de 2010
Colaboração Ir.'. Igor Navarro

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

CARTA DE ABRAHAM LINCOLN AO PROFESSOR DO SEU FILHO

Colaboração do Ir.'. Max em 17/11/2010.



Caro professor,







Ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas, por favor, diga-lhe que, para cada vilão, há um herói, que para cada egoísta, há também um líder dedicado; ensine-lhe, por favor, que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros do céu, as flores do campo, os montes e os vales.

Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos. Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.

Ensine-o a ouvir a todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.

Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.

Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.

Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.

Eu sei que estou lhe pedindo muito, mas veja o que pode fazer, caro professor!

Abraham Lincoln, 1830



sexta-feira, 24 de setembro de 2010

POEMA do HOMEM JUSTO pelo M.'. Ins.'. Pedro Escovino de Vasconcellos Loja Mario Bhering 25 nº 70











1. Senhor, dá-me a esperança. Leva de mim o desespero e não o dês a mais ninguém.

2. Semeia em meu coração o amor. Ajuda-me a cultivá-lo, extirpando de minha alma as raízes do ódio.

3. Ensina-me a fazer dos meus adversários, companheiros; dos companheiros, amigos; e dos amigos, irmãos.

4. Senhor, dá-me coragem para vencer as paixões e razão para desvanecer as ilusões.

5. Fortalece meus olhos para ver meus próprios defeitos e cega-os para as falhas do próximo.

6. Senhor, que eu possa saborear a doçura do perdão e repugnar o amargor do ódio.

7. Levar alegria a todos, aumentando-lhes os dias felizes e encurtando as noites tristes.

8. Não ser manso como a ovelha ante os poderosos e nem forte como o leão perante as noites tristes.

9. Infunde, Senhor, em meu coração, a tolerância e a compreensão; afasta de mim a intransigência e prepotência.

10. Sacia meu Espírito pela Fé em Ti, enche meu coração de amor e faze de mim um HOMEM JUSTO.


"O segredo da felicidade não é fazer o que se gosta, mas gostar do que se tem que fazer"
BHAGAVAN SRI SATHYA SAI BABA

P.S: RABINDRANATHE TAGORE, poeta Indiano, prêmio Nobel de Literatura de 1928, nascido na cidade de Calcutá.

A Grande Batalha - pelo Ir.'. Paulo Roberto Benjamin

Como se sabe a maçonaria é uma instituição arquimilenar. O fulcro de seu trabalho, mesmo não sendo uma religião, é religar a criatura ao Criador. Tarefa de gigantescas proporções, já empreendida por muitos seres e instituições ao longo da evolução da raça humana, não raramente provocando tragédias históricas.







Mas, afinal, o que se interpõe entre a criatura e o Criador, distanciando-os e provocando toda a sorte de infortúnios? Se pudéssemos, meus irmãos, de nossa humanidade, lançar esta pergunta às profundezas da terra e às maiores alturas dos céus e se tivéssemos ouvidos de ouvir, certamente surgiria um grande coro de santas vozes revelando: A IGNORÂNCIA. Inimiga das mais virulentas e poderosas, a ignorância é invisível e mutante, adaptando-se a todas as classes de situações, culturas, níveis sociais e níveis de inteligência racional. Desperta e fomenta a discórdia, o egoísmo, o preconceito, o fanatismo e toda gama de males que moram na parte animal do homem, atuando em forma de ferocidade destrutiva. Podemos afirmar, sem medo de excessos, que a ignorância, nos termos e abrangência em que é descrita, ou seja como a distância do que é espiritual e sublime, é a causa de todos os sofrimentos.

Diante de tal panorama, estrutura-se a maçonaria em elementos extraídos da natureza do Criador. Esses elementos exercem uma espécie de atração magnética sobre as pessoas de bom coração. Seus meios de ação, símbolos e conhecimentos oferecem, juntamente com outros caminhos igualmente elevados, o contraponto necessário, as armas para o combate à cruel inimiga, a fortaleza onde podemos nos proteger. Ela fornece ainda os instrumentos e os materiais com os quais vamos construir a ponte capaz de nos conduzir à estatura de Mestres de Sabedoria: o autoconhecimento. E, no momento que alcançamos esta convivência com o que é eterno em nós, podemos afirmar que somos vitoriosos. Não vitoriosos sobre as pessoas ou sobre o mundo, mas a vitoriosos sobre nós mesmos. Alcançamos a paz, vencemos, enfim, a grande batalha.

Apresentado na Loja Maçônica Lázaro Zamenhof 37 nº80
Or.'. Rio de Janeiro, 16 de setembro de 2010.



quarta-feira, 23 de junho de 2010

Texto de Fernando Pessoa sobre a MAÇONARIA

Este é um trecho do artigo que Fernando Pessoa publicou no Diário de Lisboa, no 4.388 de 4 de fevereiro de 1935, contra o projeto de lei, do deputado José Cabral, proibindo o funcionamento das associações secretas, sejam quais forem os seus fins e organização.

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A Maçonaria compõe-se de três elementos: o elemento iniciático, pelo qual é secreta; o elemento fraternal; e o elemento a que chamarei humano – isto é, o que resulta de ela ser composta por diversas espécies de homens, de diferentes graus de inteligência e cultura, e o que resulta de ela existir em muitos países, sujeita portanto a diversas circunstâncias de meio e de momento histórico, perante as quais, de país para país e de época para época reage, quanto à atitude social, diferentemente.

Nos primeiros dois elementos, onde reside essencialmente o espírito maçônico, a Ordem é a mesma sempre e em todo o mundo. No terceiro, a Maçonaria – como aliás qualquer instituição humana, secreta ou não – apresenta diferentes aspectos, conforme a mentalidade de Maçons individuais, e conforme circunstâncias de meio e momento histórico, de que ela não tem culpa.

Neste terceiro ponto de vista, toda a Maçonaria gira, porém, em torno de uma só idéia – a "tolerância"; isto é, o não impor a alguém dogma nenhum, deixando-o pensar como entender. Por isso a Maçonaria não tem uma doutrina. Tudo quanto se chama "doutrina maçônica" são opiniões individuais de Maçons, quer sobre a Ordem em si mesma, quer sobre as suas relações com o mundo profano. São divertidíssimas: vão desde o panteísmo naturalista de Oswald Wirth até ao misticismo cristão de Arthur Edward Waite, ambos tentando converter em doutrina o espírito da Ordem. As suas afirmações, porém, são simplesmente suas; a Maçonaria nada tem com elas. Ora o primeiro erro dos Antimaçons consiste em tentar definir o espírito maçônico em geral pelas afirmações de Maçons particulares, escolhidas ordinariamente com grande má fé.

O segundo erro dos Antimaçons consiste em não querer ver que a Maçonaria, unida espiritualmente, está materialmente dividida, como já expliquei. A sua ação social varia de país para país, de momento histórico para momento histórico, em função das circunstâncias do meio e da época, que afetam a Maçonaria como afetam toda a gente. A sua ação social varia, dentro do mesmo país, de Obediência para Obediência, onde houver mais que uma, em virtude de divergências doutrinárias – as que provocaram a formação dessas Obediências distintas, pois, a haver entre elas acordo em tudo, estariam unidas. Segue daqui que nenhum ato político ocasional de nenhuma Obediência pode ser levado à conta da Maçonaria em geral, ou até dessa Obediência particular, pois pode provir, como em geral provém, de circunstâncias políticas de momento, que a Maçonaria não criou.

Resulta de tudo isto que todas as campanhas antimaçônicas – baseadas nesta dupla confusão do particular com o geral e do ocasional com o permanente – estão absolutamente erradas, e que nada até hoje se provou em desabono da Maçonaria. Por esse critério – o de avaliar uma instituição pelos seus atos ocasionais porventura infelizes, ou um homem por seus lapsos ou erros ocasionais – que haveria neste mundo senão abominação? Quer o Sr. José Cabral que se avaliem os papas por Rodrigo Bórgia, assassino e incestuoso? Quer que se considere a Igreja de Roma perfeitamente definida em seu íntimo espírito pelas torturas dos Inquisidores (provenientes de um uso profano do tempo) ou pelos massacres dos albigenses e dos piemonteses? E contudo com muito mais razão se o poderia fazer, pois essas crueldades foram feitas com ordem ou com consentimento dos papas, obrigando assim, espiritualmente, a Igreja inteira.

Sejamos, ao menos, justos. Se debitamos à Maçonaria em geral todos aqueles casos particulares, ponhamos-lhe a crédito, em contrapartida, os benefícios que dela temos recebido em iguais condições. Beijem-lhe os jesuítas as mãos, por lhes ter sido dado acolhimento e liberdade na Prússia, no século dezoito – quando expulsos de toda a parte, os repudiava o próprio Papa – pelo Maçom Frederico II. Agradeçamos-lhe a vitória de Waterloo, pois que Wellinton e Blucher eram ambos Maçons. Sejamos-lhe gratos por ter sido ela quem criou a base onde veio a assentar a futura vitória dos Aliados – a "Entente Cordiale", obra do Maçom Eduardo VII. Nem esqueçamos, finalmente, que devemos à Maçonaria a maior obra da literatura moderna – o "Fausto" do Maçom Goeth.

Acabei de vez. Deixe o Sr. José Cabral a Maçonaria aos Maçons e aos que, embora o não sejam, viram, ainda que noutro Templo, a mesma Luz. Deixe a Antimaçonaria àqueles Antimaçons que são os legítimos descendentes intelectuais do célebre pregador que descobriu que Herodes e Pilatos eram Vigilantes de uma Loja de Jerusalém.

Fernando Pessoa
http://www.lojasaopaulo43.com.br/maconaria.php#15