domingo, 19 de junho de 2011

História do Início da Maçonaria no Brasil

O espírito maçônico na vida brasileira é bem anterior à implantação da Maçonaria como Instituição em nosso país. Em 1794, Dom Azeredo Coutinho, nascido em Pernambuco, onde foi Bispo, quando ocupava o cargo de Bispo de Elvas, em Portugal, dizia o seguinte: “Há quase um século principiou uma Seita com a mania de civilizar a África, reformar a Europa, corrigir a Ásia e regenerar a América”.

Este Bispo, escrevendo em 1794, dizia que a Maçonaria surgira em 1700, o que não estava muito longe da realidade. Dizia ainda o Bispo: “Há mais de trinta anos esta mesma seita principiou a espalhar a semente das revoluções para separar as Colônias das metrópoles, principalmente as de Portugal e da Espanha, as mais ricas do mundo”. É interessante destacar que o citado Bispo, no século seguinte, filiou-se à “seita” por ele combatida.
A História nos conta que em 1787 já fermentavam os ideais da Revolução Francesa, e que José Joaquim da Maia, nascido no Rio de Janeiro e estudante da Universidade de Montpellier, filho de um “Mestre Pedreiro”, servia de elemento de contato entre os Maçons brasileiros e Thomas Jefferson, então embaixador dos Estados Unidos na França, que tinha substituído  a Benjamim Franklin não só no cargo, mas também no trabalho de preparação das Lojas Maçônicas para a Grande Revolução de 1889.
Não se pode afirmar que naquela altura já existisse a Maçonaria organizada e institucionalizada no Brasil. Não existe nenhum documento que pudesse comprovar este fato. Entretanto, pode-se afirmar que na época já havia muitos maçons no Brasil.
Nos Autos de Devassa da Inconfidência Mineira, volume II, página 84 (Biblioteca Nacional – Rio de Janeiro – 1936) estão as declarações de Francisco Antonio de Oliveira Lopes, no seguinte teor: “Auto de perguntas feitas acerca de uma carta escrita ao ministro dos Estados Unidos da América Setentrional por um estudante do Brasil que se acha em Montpellier (não cita corretamente o nome do estudante, que refere como José Resende) que naquela cidade francesa conhecera dois sujeitos que se diziam ENVIADOS, um deles filho do Rio de Janeiro, ao pé da Lapa, e que estes foram mandados por certos Comissários daquela cidade a tratar com o embaixador da América Inglesa sobre um levante na cidade do Rio de Janeiro”.
No mesmo Auto, Domingos Vidal Barbosa declara: “Estava ele na Universidade de Montpellier, na qual também freqüentava os mesmos estudos o estudante José Joaquim da Maia, natural do Rio de Janeiro, filho de um MESTRE PEDREIRO”.
Segundo nos relata Varnhagem, havia então estreita ligação entre o “Clube de Coimbra”, isto é, a Loja Maçônica da Universidade de Coimbra, e os elementos maçons da Universidade de Montpellier.
Formado em Coimbra – em Ciências – José Álvares Maciel vai a Londres, onde entra em contato com a Maçonaria Inglesa. De Londres vais a Paris, onde recebe instruções da Maçonaria Francesa para o Brasil.
O Governador da Capitania era o Visconde de Barbacena, também formado na Universidade de Coimbra, antigo Secretário da Academia de Ciências de Lisboa, e que se filiara à Maçonaria na cidade das margens do rio Mondego – a cidade de Coimbra.
Informado da existência da conspiração de Ouro Preto por intermédio do “Irmão” Joaquim Silvério dos Reis, impediu que o movimento prosseguisse, porque ele pertencia à dita “Maçonaria Azul” a qual, sendo monarquista, defendia os interesses do Reino e, por extensão, os seus próprios, por ser o Governador da Província.
Lamentavelmente, já naquela época havia este tipo de divisão entre os maçons, tal como ainda hoje ocorre. É por isso que, por exemplo, a maçonaria americana combate a porto-riquenha, que luta pela libertação de Porto Rico da tutela norte-americana.
É quase certo que todos os conjurados tenham sido Iniciados na Maçonaria, porque era intenso o trabalho dos membros da “Maçonaria Vermelha”, ou seja, daqueles que sonhavam com a independência da pátria, os quais, em sua maioria, eram republicanos declarados.
Isto pode ser aventado em face da circunstância de que entre 1768 e 1788, vésperas da Inconfidência Mineira, havia cerca de 157 estudantes das diversas Capitanias luso-brasileiras que foram diplomados pela Universidade de Coimbra. Dentre estes, podemos citar: José Vieira Couto (Diamantina), José da Silva Lisboa (Bahia) que veio a ser o Visconde de Cayru; Antonio de Morais Silva (Rio de Janeiro), cujo dicionário da Língua Portuguesa é muito conhecido; Antonio Pereira de Souza Caldas (Rio de Janeiro) que foi sacerdote, orador e poeta; Francisco de Melo Franco (Paracatu – Minas Gerais) que escreveu a célebre sátira “Reino da Estupidez”; José Álvares Maciel (Vila Rica – Ouro Preto) que foi um dos doze brasileiros que se comprometeram, em reunião maçônica, a empregar todos os seus futuros esforços para alcançarem a independência do Brasil; José Bonifácio de Andrada e Silva (Santos – São Paulo) que dispensa maiores comentários, em que pese ser um dos que alinhavam na “Maçonaria Azul” (monarquia).
É preciso que entendamos que os inconfidentes eram vassalos rebelados contra a monarquia portuguesa e não contra Portugal porque todos eles eram cidadãos portugueses, alguns deles nascidos na Metrópole e outros já nascidos no Brasil. Há que se ter em conta também que nem todos os maçons comungavam as mesmas idéias revolucionárias. Existiam os republicanos “Vermelhos” e os monarquistas “Azuis”, embora em menor número.
No entanto, no movimento inconfidente, estas duas facções estavam unidas na revolução contra as tropas realistas, ou absolutistas.
Em meados de 1821, os deputados “Vermelhos” já tramavam nas cortes a retirada de Dom Pedro e a implantação de um sistema que favorecesse a instauração da República nas Províncias do Brasil, que se tornariam automaticamente independentes.
Deixando de considerar as discussões em torno dos posicionamentos de José Bonifácio, “Azul” e monarquista constitucional, e de Joaquim Gonçalves Ledo, “Vermelho”, republicano declarado, ficamos sem resposta para a seguinte questão: se os “Vermelhos” de Joaquim Gonçalves Ledo tivessem sido bem sucedidos, não teríamos o Brasil dividido em tantas Repúblicas quantas eram as suas Províncias?
Evidentemente, todas as conjeturas sobre o assunto não eliminam o fato de ter sido Joaquim Gonçalves Ledo o verdadeiro Patriarca da Independência, em que pese o devermos à energia de José Bonifácio a manutenção da unidade do Brasil. Foi a sua atuação que o levou a ser escolhido Patrono da Ordem Maçônica  no Brasil
Por outro lado, a Maçonaria no Brasil só pode ser realmente considerada como Instituição após a formação do Grande Oriente do Brasil.
A primeira informação oficial sobre a Maçonaria no Brasil foi veiculada pelo manifesto que José Bonifácio dirigiu aos maçons de todo o mundo, em 1832. Este documento histórico, redigido por Gonçalves Ledo, informa a instalação da Loja “Reunião”, a primeira Loja Simbólica regular brasileira, filiada ao Grande Oriente de França e que adotou o Rito Moderno ou Francês. No ano seguinte, 1802, vamos encontrar na Bahia a Loja “Virtude e Razão”, funcionando no mesmo Rito.
Adelino de Figueiredo Lima, baseado nestes fatos, afirmou que a Maçonaria Brasileira é filha espiritual da Maçonaria Francesa, acrescentando que da França veio o Rito Moderno, com o qual o nosso Grande Oriente atingiu a maioridade.
O Grande Oriente Lusitano, tomando conhecimento destes fatos, enviou ao Brasil, em 1804, um delegado que veio com o objetivo de garantir a adesão e a fidelidade dos maçons brasileiros. Todavia, este delegado não foi feliz no seu objetivo, dada a forma com que impôs as suas pretensões, e assim resolveu deixar fundadas duas novas Lojas, submissas à Potência lusitana. Foram as Lojas “Constância” e “Filantropia”.
Diante disso, desde o início foi semeada a discórdia no seio da Maçonaria no Brasil, culminando com desentendimentos que levaram as duas Lojas a “abaterem colunas”.
Na Bahia, no entanto, os maçons foram mais felizes porque, além da Loja “Virtude e Razão”, fundada em 1802, foram fundadas mais duas Lojas, “Humanidade” em 1807 e “União” em 1813. Isto permitiu a criação, em 1813, do primeiro Grande Oriente que, devido à Revolução de 1817, “adormeceu”, juntamente com as suas Lojas.
Em 1809 foi fundada em Pernambuco uma Loja que viria a servir de núcleo para mais outras três, permitindo assim a formação de uma Grande Loja Provincial, que por questões eminentemente políticas, também suspendeu as suas atividades, em 1817.
No Rio de Janeiro foi feita nova tentativa, com a fundação das Lojas “Distintiva” e “São João de Bragança”. A primeira, fundada em 1812 em São Gonçalo da Praia Grande (Niterói) e a segunda no Paço Real da corte de Dom João VI (Quinta da Boavista), sem o conhecimento do rei. Ambas tiveram também existência efêmera.
Finalmente, em 1815, com a fundação da Loja “Comércio e Artes” no Rio de Janeiro, à qual se filiaram inúmeros membros da antiga Loja “Reunião”, iniciou-se uma era mais sólida para a Maçonaria Brasileira.
A Loja Comércio e Artes somente conseguiu firmar-se definitivamente em 1821, depois de suplantar a perseguição imposta pelo alvará de 30 de março de 1818, de Dom João VI, que proibia o funcionamento das sociedades secretas, que, no caso, se resumiam à Maçonaria.
Vencidas as dificuldades, reuniram-se logo na Loja eminentes estadistas, políticos, altas autoridades e personalidades cujo pensamento predominante era o de lutar pela independência do Brasil. Pode-se dizer com segurança que o único trabalho da Loja, daí por diante, foi a campanha em prol deste objetivo.
A partir de então, tornava-se indispensável que a própria Loja se tornasse independente do Grande Oriente Lusitano. Assim, no dia 28 de maio de 1822, a convite do capitão João Mendes Viana, reuniram-se os maçons do Rio de Janeiro em sessão magna da Loja Comércio e Artes, com o objetivo de instalarem o Grande Oriente do Brasil. A exigência da existência de três Lojas, levou os Irmãos a fundarem mais duas Lojas nesta mesma sessão. São elas: a “União e Tranqüilidade” e a “Esperança de Niterói”.
Foi lavrada então a competente Ata de fundação do Grande Oriente do Brasil, que na época não teve Carta Constitutiva concedida por nenhuma outra Potência Maçônica.
O reconhecimento do Grande Oriente do Brasil como Potência Maçônica Regular veio a ser feito posteriormente pela Grande Loja da Inglaterra, mais de 100 anos depois. Mas isto é outra história.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
ASLAN, Nicola – Biografia de Joaquim Gonçalves Ledo – Tomos I e II – Edit. Maçônica – Rio de Janeiro
D’ALBUQUERQUE, A.Tenório – A Maçonaria e a Inconfidência Mineira – Editora Espiritualista – Rio
FERREIRA, Tito Lívio – A Maçonaria na Independência do Brasil – Tomos I e II – Gráfica Biblos – S. Paulo
LIMA, Adelino de Figueiredo – Nos Bastidores do Mistério - Editora “O Malhete”   2ª Edição  – S. Paulo
PROBER, Kurt – História do Supremo Conselho do Grau 33 do Brasil – Vol. I – Livraria Kosmos Editora – 1981 – Rio de Janeiro.


sexta-feira, 10 de junho de 2011

TIRADENTES, UMA FARSA CRIADA POR LÍDERES DA INCONFIDÊNCIA MINEIRA

Tiradentes e a Maçonaria

Algum irmão teria condições de desmentir o texto abaixo?


Guilhobel Aurélio Camargo

Colaboração Ir.'. Max.


Ele estava muito bem vivo, um ano depois, em Paris. O feriado de 21 de abril é fruto de uma história fabricada que criou Tiradentes como bode expiatório, que levaria a culpa pelo movimento da Inconfidência Mineira. Quem morreu no lugar dele foi um ladrão chamado Isidro Gouveia.

A mentira que criou o feriado de 21 de abril é: Tiradentes foi sentenciado à morte e foi enforcado no dia 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro, no local chamado Campo da Lampadosa, que hoje é conhecido como a Praça Tiradentes. Com a Proclamação da República, precisava ser criada uma nova identidade nacional. Pensou-se em eternizar Marechal Deodoro, mas o escolhido foi Tiradentes. Ele era de Minas Gerais, estado que tinha na época a maior força republicana e era um polo comercial muito forte. Jogaram ao povo uma imagem de Tiradentes parecida com a de Cristo e era o que bastava: um “Cristo da Multidão”. Transformaram-no em herói nacional cuja figura e história “construída” agradava tanto à elite quanto ao povo.

A vida dele em poucas palavras: Tiradentes nasceu em 1746 na Fazenda do Pombal, entre São José e São João Del Rei (MG). Era filho de um pequeno fazendeiro. Ficou órfão de mãe aos nove anos e perdeu o pai aos 11. Não chegou a concluir o curso primário. Foi morar com seu padrinho, Sebastião Ferreira Dantas, um cirurgião que lhe deu ensinamentos de Medicina e Odontologia. Ainda jovem, ficou conhecido pela habilidade com que arrancava os dentes estragados das pessoas. Daí veio o apelido de Tira-dentes. Em 1780, tornou-se um soldado e, um ano à frente, foi promovido a alferes. Nesta mesma época, envolveu-se na Inconfidência Mineira contra a Coroa portuguesa, que explorava o ouro encontrado em Minas Gerais. Tiradentes foi iniciado na maçonaria pelo poeta e juiz Cruz e Silva, amigo de vários inconfidentes. Tiradentes teria salvado a vida de Cruz e Silva, não se sabe em que circunstâncias.

Tiradentes, maçonaria e a Inconfidência Mineira: Como era um simples alferes (patente igual à de tenente), não lideraria coronéis, brigadeiros, padres e desembargadores, que eram os verdadeiros líderes do movimento. Semi-alfabetizado, é muito provável que nunca esteve plenamente a par dos planos e objetivos do movimento. Em todos os movimentos libertários acontecidos no Brasil, durante os séculos XVIII e XIX, era comum o "dedo da maçonaria". E Tiradentes foi maçom, mas estava longe de acompanhar os maçons envolvidos na Inconfidência, porque esses eram cultos, e em sua grande parte, estudantes que haviam recentemente regressado "formados” da cidade de Coimbra, em Portugal. Uma das evidências documentais da participação da Maçonaria são as cartas de denúncia existentes nos autos da Devassa, informando que maçons estavam envolvidos nos conluios.

Os maçons brasileiros foram encorajados na tentativa de libertação, pela história dos Estados Unidos da América, onde saíram vitoriosos - mesmo em luta desigual - os maçons norte-americanos George Washington, Benjamin Franklin e Thomas Jefferson. Também é possivel comprovar a participação da Maçonaria na Inconfidência Mineira, sob o pavilhão e o dístico maçônico do Libertas quae sera tamen, que adorna o triângulo perfeito, com este fragmento de Virgílio (Éclogas,I,27) Tiradentes era um dos poucos inconfidentes que não tinha família. Tinha apenas uma filha ilegítima e traçava planos para casar-se com a sobrinha de um padre chamado Rolim, por motivos econômicos. Ele era, então, de todo o grupo, aquele considerado como uma “codorna no chão”, o mais frágil dos inconfidentes. Sem família e sem dinheiro, querendo abocanhar as riquezas do padre. Era o de menor preparo cultural e poucos amigos. Portanto, a melhor escolha para desempenhar o papel de um bode expiatório que livraria da morte os verdadeiros chefes.

E foi assim que foi armada a traição, em 15 de março de 1989, com o Silvério dos Reis indo ao Palácio do governador e denunciando o Tiradentes. Ele foi preso no Rio de Janeiro, na Cadeia Velha, e seu julgamento prolongou-se por dois anos. Durante todo o processo, ele admitiu voluntariamente ser o líder do movimento, porque tinha a promessa que livrariam a sua cabeça na hipótese de uma condenação por pena de morte. Em 21 de abril de 1792, com ajuda de companheiros da maçonaria, foi trocado por um ladrão, o carpinteiro Isidro Gouveia. O ladrão havia sido condenado à morte em 1790 e assumiu a identidade de Tiradentes, em troca de ajuda financeira à sua família, oferecida a ele pela maçonaria. Gouveia foi conduzido ao cadafalso e testemunhas que presenciaram a sua morte se diziam surpresas porque ele aparentava ter bem menos que seus 45 anos. No livro, de 1811, de autoria de Hipólito da Costa ("Narrativa da Perseguição") é documentada a diferença física de Tiradentes com o que foi executado em 21 de abril de 1792. O escritor Martim Francisco Ribeiro de Andrada III escreveu no livro "Contribuindo", de 1921: "Ninguém, por ocasião do suplício, lhe viu o rosto, e até hoje se discute se ele era feio ou bonito...".

O corpo do ladrão Gouveia foi esquartejado e os pedaços espalhados pela estrada até Vila Rica (MG), cidade onde o movimento se desenvolveu. A cabeça não foi encontrada, uma vez que sumiram com ela para não ser descoberta a farsa. Os demais inconfidentes foram condenados ao exílio ou absolvidos.

A descoberta da farsa: Há 41 anos (1969), o historiador carioca Marcos Correa estava em Lisboa quando viu fotocópias de uma lista de presença na galeria da Assembléia Nacional francesa de 1793. Correa pesquisava sobre José Bonifácio de Andrada e Silva e acabou encontrando a assinatura que era o objeto de suas pesquisas. Próximo à assinatura de José Bonifácio, também aparecia a de um certo Antônio Xavier da Silva. Correa era funcionário do Banco do Brasil, se formara em grafotécnica e, por um acaso do destino, havia estudado muito a assinatura de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Concluiu que as semelhanças eram impressionantes.

Tiradentes teria embarcado incógnito, com a ajuda dos irmãos maçons, na nau Golfinho, em agosto de 1792, com destino a Lisboa. Junto com Tiradentes seguiu sua namorada, conhecida como Perpétua Mineira e os filhos do ladrão morto Isidro Gouveia. Em uma carta que foi encontrada na Torre do Tombo, em Lisboa, existe a narração do autor, desembargador Simão Sardinha, na qual diz ter-se encontrado, na Rua do Ouro, em dezembro no ano de 1792, com alguém muito parecido com Tiradentes, a quem conhecera no Brasil, e que ao reconhecê-lo saiu correndo. Há relatos que 14 anos depois, em 1806, Tiradentes teria voltado ao Brasil quando abriu uma botica na casa da namorada Perpétua Mineira, na rua dos Latoeiros (hoje Gonçalves Dias) e que morreu em 1818. Em 1822, Tiradentes foi reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira e, em 1865, proclamado Patrono Cívico da nação brasileira.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Felicidade / pelo Ir.'. Sérgio Dias

“A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor; brilha tranqüila, depois de leve oscila, e cai como uma lágrima de amor”.

Vinícius de Moraes

Por Irmão SÉRGIO DIAS

A felicidade é uma poderosa alquimia: é um dos mais poderosos purificadores do pensamento humano, dos sentimentos, da mente, do corpo, da aura e do mundo da pessoa.

Onde andará essa tal de felicidade que todos procuram pelos quatro cantos do mundo? É cantada pelos poetas, estudiosos recomendam fórmulas mágicas, mas ninguém consegue ser feliz. Diz o Aurélio que “felicidade é qualidade ou estado de feliz; bom êxito, sucesso”. Os mais bem sucedidos na vida dizem que sem dinheiro ninguém atinge a felicidade; os bem sucedidos são aqueles que vencem na vida, que galgam os mais altos cargos, quer privados, públicos ou eclesiásticos. Em resumo, bem sucedidos são aqueles que estão sempre na frente dos outros. Ou, como dizia Ayrton Senna: o segundo colocado é o primeiro dos últimos.

            Mas existem pessoas que se tornam felizes pelo seu trabalho. Madre Tereza de Calcutá, por exemplo; sua felicidade era servir aos pobres. Dedicou toda a sua vida a ajudar os miseráveis da Índia, e vivia no seu meio. Quando lhe ofereciam homenagens com discursos, comendas e jantares, na companhia de grandes personalidades, recusava, e mandava reverter o dinheiro que seria gasto em benefício dos pobres. Albert Schweitzer foi outro exemplo que plantou sua morada nos confins da África, e dedicou sua vida aos pobres daquela região.

            No mundo atual, onde o progresso está ligado à competição, é necessário ser um vencedor para galgar os degraus do sucesso. Então, na juventude começa o sofrimento, quando o jovem precisa decidir o seu futuro. Ao invés de seguir os seus instintos, suas aptidões, ele é obrigado a escolher uma carreira que, na maioria das vezes, é diferente daquela que gostaria de seguir. Consulta as preferências do mercado de trabalho, onde há mais oferta de emprego, maior lucro financeiro. Então, estraga sua vida a fazer o que não gosta. Torna-se um infeliz a vida toda. É esta a regra geral.

            Chegamos a um estágio da vida que tudo depende do mercado de consumo. Um desejo se transforma em necessidade, seguindo a filosofia da mídia, veículo desse capitalismo desenfreado. Desde o berço, vamos nos adaptando às normas ditadas pelos veículos de comunicação. Diante disso, os bons costumes, a cultura, tudo vai por água a baixo. É preciso consumir: seja um bom consumidor e será feliz. Tudo vira bem de consumo: a saúde, a educação, a segurança... Até os relacionamentos entram nesse rol. Um casamento passa a ser um negócio e, no contrato, devem rezar cláusulas bem definidas neste particular. O amor não entra no contrato, mudando até de significado, pois fazer amor, hoje, não tem nada a ver com amor.

            Diante de tudo isso, chegamos a pensar que o homem perdeu o objetivo de viver. Basta pararmos um pouco para pensar e chegaremos à conclusão de que tudo isso que chamamos de progresso e que deveria nos trazer felicidade está nos levando para o fim. Em troca desse progresso, estamos sacrificando o planeta que é a nossa morada. De que valerá o telefone celular num planeta deserto? A felicidade que pensamos conquistar ao comprar um carro zero quilômetro não passa de uma ilusão. A pergunta continua: onde encontrar a felicidade?

Salomão, do alto de sua sabedoria, disse: “Uma geração passa, outra vem, e a terra permanece sempre. O Sol se levanta, o Sol se põe; o vento vai para o Sul e vira para o Norte; os rios todos correm para o Mar; todas as palavras estão gastas, não se consegue mais dizê-las; o olho não se sacia do que vê; o ouvido não se enche do que ouve. Que proveito tira o homem de todos os trabalhos com que se afadiga sob o Sol? Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”.

            Mas Salomão acaba concluindo que “nada é melhor para o homem do que comer e beber e experimentar felicidade no seu trabalho”. Realmente, a maior alegria que se sente é quando trabalhamos naquilo que gostamos, pois o trabalho, entre outras coisas, tem a vantagem de diminuir os dias e prolongar a vida. Quem faz aquilo que gosta, não vê o tempo passar e se sente feliz no fim da jornada.

            Ninguém, no entanto, é feliz sem amar a Deus. Ame a si mesmo e ao seu próximo, mas não se esqueça de amar a Deus, em primeiro lugar, pois é dele que provém tudo que recebemos. Nenhuma felicidade permanente é jamais atingida exceto através da adoração a Deus, a Poderosa Presença EU SOU. Outra coisa que não devemos esquecer é que somos espírito, que neste planeta somos peregrinos e como uma sombra é nossa passagem por aqui. Quando partirmos, nada levaremos conosco, nem o corpo, pois voltará ao pó.

            “Alegra-te, ó jovem, na tua mocidade, seja feliz teu coração, nos dias de tua juventude. Anda segundo os caminhos do teu coração, conforme o que teus olhos vêem. Mas fica sabendo que por tudo isso Deus te chamará a julgamento. Afasta a tristeza do teu coração, remove de tua carne o mal, pois a juventude e a aurora da vida são vaidade” (Ecl Cap. 11, vers. 9).

            Para concluir, o poeta vem e canta seus versos: “Para que tanta ilusão, tanta vaidade, procurar uma estrela perdida? Quase sempre o que nos traz felicidade são as coisas mais simples da vida. Felicidade é uma casinha simplesinha, com gerânios em flor na janela, uma rede de malha branquinha e nós dois a sonhar dentro dela”.