segunda-feira, 27 de junho de 2011

A Estrela de Cinco Pontas

Através dos séculos houve sempre a preferência por uma estrela de cinco pontas como figura dos astros de aparência menor do que a do sol e da lua. O planeta Vênus tem sido representado assim e é considerado uma estrela matinal e vespertina, ensejou lendas sem conta. Por outro lado, A Estrela de Cinco Pontas sempre foi, desde tempos remotos e até hoje, o distintivo de comandantes militares, e de generais.



Como Símbolo Maçônico, A Estrela Flamejante de origem Pitagórica, pelo menos quanto ao seu formato e significado, este muito mais antigo do que aqueles que lhe deram alquimia, a magia e o ocultismo, durante a idade média. O seu sentido mágico alquímico e cabalístico e o seu aspecto flamejante foram imaginados ou copiados por Cornélio Agrippa de Nettesheim (1486-1533), jurista, médico e teólogo, professor em diversas cidades européias. A magia, dizia ele, permite a comunicação com o superior para dominar o plano inferior. Para conquistá-la seria necessário morrer para o mundo (iniciação). Símbolo e distintivo dos Pitagóricos, A Estrela de Cinco Pontas ou Estrela Homonial é também denominada com impropriedade etimológica, Pentáculo (cinco cavidades), Penta Grama (cinco letras ou sinais gráficos, cinco princípios) ou Pentalfa. Importa saber que os pitagóricos a usam para representar a sabedoria (sophia) e o conhecimento (gnose) e provavelmente empregavam no interior do pentáculo a letra gama, de gnosis.

A Estrela Flamejante era símbolo desconhecido pelos pedreiros livres medievais. Seu aparecimento na Maçonaria, a partir de 1737, não encontrou guarida em todos os Ritos, pois o certo é que os construtores medievais conheciam a figura estelar apenas como desenho geométrico e não com interpretações ocultas que se introduziram na Maçonaria especulativa. A Estrela Flamejante corresponde ao Pentagramaton ou Tríplice Triângulo cruzado dos pitagóricos. Distingue-se do Delta ou Triângulo do Oriente, embora, entre os antigos egípcios representasse também Horus que em lugar do pai, Osíris passou a governar as estações do ano e o movimento.

O verdadeiro sentido da Estrela Flamejante é Homonial, eis que o símbolo designa o homem espiritual, o indivíduo dotado de alma, ou de fator de movimento e trabalho. Ou seja, o indivíduo como espírito ou fagulha interna que lhe concedeu o G.·.A.·.D.·.U.·. . A ponta superior da Estrela é a cabeça humana, a mente. As demais pontas são os braços e as pe rnas. Na Maçonaria essa idéia serve para lembrar ao Maçom que o homem deve criar e trabalhar, isto é, inventar, planejar, executar e realizar, com sabedoria e conhecimento. Pode ocorrer que o ser humano falhe nos seus desígnios. O Maçom também pode falhar como ser humano, mas seu dever é imitar, dentro de seus ínfimos poderes o G.·. A.·. D.·. U.·., o ser dos seres. Aí está O principal segredo do Grau de C... . Outra interpretação é a que se refere a 3+2=5, soma em que três é a divindade cuja fagulha é encarnada e dois é o material, o ser que se reproduz por dois sexos opostos e não consegue perpetuar-se de outro modo.

As cinco pontas da Estrela ainda lembram os cinco sentidos que estabelecem a comunicação da alma com o mundo material. Tato, audição, visão, olfato e paladar, dos quais para os Maçons três servem a comunicação fraternal, pois é pelo tato que se conhecem os toques Pela audição se percebem as palavras , e pela visão se notam os sinais. Mas não se pode esquecer o paladar, pelo qual se conhecem as bebidas amargas e doces, bem como o sal, o pão e o vinho. Finalmente pelo olfato se percebem as fragrâncias das flores e os aromas do altar de perfumes. A letra "G", interior com o significado de gnose ou conhecimento lembra a quinta essência, quanto ao transcendental. Quanto ao Homonial, lembra ao Maçom o dever de conhecer-se a si mesmo. No Grau de Companheiro recomenda-se ao Maçom o dever de analisar as próprias faculdades e bem empregar os poderes pessoais em benefício da humanidade.

POSIÇÃO DA ESTRELA FLAMEJANTE NO TEMPLO
Os Rituais do mundo e os diversos Ritos Maçônicos não se entendem também quanto à colocação da Estrela Flamejante no alto do recinto do Templo. Uns a colocam no oriente a frente do trono, outros a configuram no interior do D.·., o que parece mais sugestivo, principalmente quando o Obreiro na elevação de Grau é chamado a contemplar o Triângulo Radiante. Outros, entendendo que ela é de brilho intermediário, isto é, de luminosidade simbolicamente situada entre a luz ativa do sol e a luz próxima ou reflexa da lua, mandam situá-la no meio do teto do Templo, dependurada, ou pelo menos no meio-dia, onde à maneira inglesa está o 2º Vigilante. Outros a consideram uma Estrela do Ocidente. Lojas do Rito Moderno as têm colocado no ocidente ao lado do 2° Vig.·. (norte). Entende-se que a melhor forma é se colocar a Estrela Homonial no meio do teto do Templo, ou de maneira que o Iniciado possa contemplar o Símbolo quando é chamado a fazê-lo.

SIGNIFICADOS MAÇÔNICOS DA LETRA G NO INTERIOR DO PENTAGRAMA
Ficou demonstrado que a melhor significação do G central do pentagrama é gnose=conhecimento. O caráter Homonial da Estrela Flamejante é indiscutível, a luz das fontes pitagóricas e das referências gregas e romanas. Ninguém negaria ao Símbolo o seu sentido mágico, eis que Pitágoras se dedicava à magia. No pentagrama a letra G quer dizer principalmente gnose, porém para satisfazer gregos e troianos tem que se acrescentar os significados, GERAÇÃO, GÊNIO, GEOMETRIA e GRAVITAÇÃO, e também GLÓRIA PARA DEUS, GRANDEZA PARA O VENERÁVEL DA LOJA, ou para A LOJA, e tem sido registrado em muitos Rituais Maçônicos na tentativa de se encontrar ligação entre estes hipotéticos significados da letra "G". Diz-se que GERAÇÃO estaria ligada ao princípio (gênesis da Bíblia) ou a Arquem, dos gregos. Gênio seria o correspondente a "DJINN" dos árabes e a "GINES" dos persas, que no ocultismo tange aos chamados "ELEMENTAIS" ou "SEMI-INTELIGENTES ESPÍRITOS DA NATUREZA" e em outras interpretações quer dizer o espírito criador ou inventor, ou a chama realizadora. GEOMETRIA, ciência da medida das extensões, que lembra as regras do grande geômetra para realizar a Arquitetura do Universo. Na sabedoria ela provocou os diálogos sobre ORDEM, EQUlLÍBRIO e HARMONIA. A GRAVITAÇAO lembra Newton e sua lei: A matéria atrai a matéria na razão direta das massas e na razão inversa do quadrado das distâncias. ARQUEU, O PRINCÍPIO, O FOGO REALIZADOR A palavra Arqueu, que deriva do grego que queria dizer, princípio, principal, primeiro, príncipe, reino, domínio.

Para os gregos, a palavra tinha o sentido de poder formador da natureza. Seria a essência vital que exprime as propriedades e as características das coisas. Por comparação, corresponderia ao sopro divino que deu vida a Adão na Bíblia. Ensinam certas instruções maçônicas o motivo simbólico das chamas que envolvem a Estrela Pentacular, relembrando Arqueu, o Fogo Realizador, ou ensinando que a letra G significa o gênio ou a BUSCA SAGRADA que anima o C.·. M.·. . à realização.

Tem-se afirmado que a Estrela Flamejante traduz a luz interna do C.·. M:. ou que representa o próprio homem Maçom dotado da luz divina que lhe foi transmitida. A estrela de cinco pontas é então a força que impulsiona o companheiro em direção das suas metas e da sentido as suas realizações, o numero cinco a qual a estrela faz alusão se funde na alma do companheiro que uma vez elevado a um patamar mais alto pode vislumbrar as luzes desta estrela e pode-se então guiar por esta luz pra que a sua caminhada que já é longe das trevas do mundo profano possa se refinar e dar sentido a sua obra interior, absorvendo a luz desta estrela que representa o corpo humano e utilizando a quintessencia o companheiro desperta para as luzes do saber e da compreensão da humanidade e do sentido oculto do saber e do realizar.

Que o GADU ilumine as nossas mentes para que posemos sempre caminhar longe das trevas e em direção a sua Luz. .

Flávio Dellazzana, C.'. M.'.
A.'.R.'.L.'.S.'. PEDRA CINTILANTE, 60
G.'.O.'.S.'.C.'./C.'.O.'.M.'.A.'.B.'.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Muito Interessante!

A imagem de cima é após a explosão da bomba atômica e a imagem de baixo é após o tsunami.
De que material são feitos os "pórticos" das fotos ?
Colaboração:
Ir.'. Mario Dias de Mesquita.




Qual seria explicação deste Pórtico não sofrer nenhum abalo?

domingo, 19 de junho de 2011

Eu sou a Maçonaria


Nasci na antigüidade, nos idos tempos quando o homem sonhava com Deus. Eu fui posta à prova através dos tempos e a verdade prevaleceu.
As encruzilhadas do mundo têm as marcas da minha caminhada e as catedrais de todas as nações marcam a habilidade de minhas mãos.

Eu luto pela beleza e pela simetria. Em meu coração habitam a sabedoria, a força e a coragem daqueles que buscam. Sobre meu altar está o Livro Sagrado das Escrituras e minhas preces são para o Único e Onipotente Deus.

Meus filhos trabalham e oram juntos, sem hierarquia ou discórdia, nos mercados públicos e nas câmaras interiores.

Por sinais e símbolos eu ensino lições de vida e de morte, do relacionamento entre Deus e o homem e entre os homens.

Meus braços estão abertos para receber aqueles que atingiram sua maioridade, que sejam de bons costumes, e que me buscam por sua livre vontade.

Eu os aceitarei e os ensinarei a utilizar minhas ferramentas na construção dos homens e, por conseguinte, mostrarei a direção da sua própria busca da perfeição, tão desejada e tão difícil de atingir.

Eu ergo os caídos e dou abrigo aos doentes.

Eu me preocupo com o clamor dos órfãos, com as lágrimas das viúvas, com a dor dos velhos e destituídos.

Não sou uma igreja, nem uma associação e nem uma escola, contudo meus filhos carregam sua total parcela de responsabilidade para com Deus, sua pátria, seus vizinhos e consigo mesmos.

Eles são homens livres, persistentes na sua liberdade e alertas ao perigo que os espreita.

Por último, eu os comprometo a que cada um inicie sua jornada além do vale para a glória da vida eterna.
Eu reflito sobre a areia da ampulheta e penso quão pequena é uma vida só, no eterno universo.

Sempre ensinei sobre a imortalidade e mesmo quando eu elevo os homens da escuridão à luz, Eu sou um sentido para a vida.
Eu sou a Maçonaria
-Ray V. Denslow-
Tradução livre de Hernán Vilar – ARLS Mestre Pescador 154

A Missão da Maçonaria no Mundo de Hoje

A Maçonaria desde a sua existência, passa por diversos processos de transformações e provas, mas, resistirá heroicamente a todos os golpes de seus próprios filhos e sairá fortalecida sempre, pois tem uma missão a cumprir, e a cumprirá a despeito de todos quantos forem aqueles que se voltem contra ela. Sua força está em saber esperar e em saber resistir, sobretudo em ter a Razão contra tudo que seja escravidão, fanatismo, ignorância e aviltamento, pois o G\A\D\U\ exercerá Sua Força, eternamente derrotando estes inimigos.

          No caminho estreito do mundo há uma árvore de mau agouro e frondosa: a Crueldade que, produziu durante a história, ditadores, traidores, corruptos e sem princípios que abusam da confiança do povo, em todas as épocas e de todos os tamanhos. Estes elementos eram e são cheios de vaidades e ambições, duros de corações, carentes de escrúpulos, inimigos da liberdade de ação e expressão, e inimigos principalmente da Maçonaria que, tem a Verdade e a Justiça como pilares básicos de seu Templo Imortal.

          A Maçonaria tem como grande missão redimir, elevar, impulsionar e iluminar a Humanidade, dando a entender que não estamos isolados no mundo.

          O trânsito que a Humanidade se conduz, pode ser considerado como a raiz de uma árvore que um dia luzirá como copa frondosa, sustentada por tronco rijo e idoso, do qual somos a primeira célula.

          Pode-se afirmar que o progresso da Maçonaria é o resultado de uma cadeia de homens decididos e virtuosos, e mesmo assim, os passos que são dados na vereda do progresso, são tão curtos como minguado é o tempo que leva a Família Humana na face da Terra, comparado com os astros de sistema solar.

          Dizer sim como o Sol que ilumina os bons e os maus, dá calor a todos sem exceção ou distinção a todos os seres da Terra, assim deve a Maçonaria estender seu amor e sua benevolência a todas quantos a rodeiam, sem distinção, sem discriminação e muito menos sem rancores, porque tanto como o Amor é fértil, o Ódio é estéril e destrói o ser humano.

          É preciso que a Maçonaria dê exemplos à sociedade, para que não se reconheçam mais títulos e nem vantagens e que não desvirtue o estreito acatamento à Moral e ao exercício da Virtude. É preciso sim que se reconheça o quanto é amoroso, honrado e excessivamente virtuoso, pois a Virtude é para a Maçonaria a força de fazer o bem em seu amplo sentido, é o cumprimento de nossos deveres para com a sociedade e para com a nossa família, sem interesse pessoal. Em resumo, a Virtude não retrocede, nem ante ao sacrifício e nem mesmo ante a morte, quando se trata do cumprimento do dever.



       A Maçonaria pode ser considerada neste mundo como a mãe da sabedoria humana, e esta cumpre árdua missão, incansavelmente, com ousadia, perseverança e valor, sendo sua doutrina principal o Amor, revelando ao homem os ensinamentos principais como o de cumprir sua missão, custe o que custar.

          A Maçonaria pode, com certeza, afirmar que não há ser no mundo que não melhore em algo sua alma, enquanto ama outro ser, ainda quando se trate de um processo de um pequenino e insignificante amor. E os que não deixam de amar seguem amando, senão porque é a mais divina e ao mesmo tempo a mais profunda virtude humana.

          O caminho para o próprio convencimento do homem que queira seguir, não importa para a Maçonaria, para isso ela o deixa com sua liberdade de consciência e por isso não toma em defesa nenhuma religião, e convida seus obreiros ao estudo e à meditação sobre o único livro que o homem tem estudado profundamente, e de onde tem tirado todo o seu conhecimento. Esse livro é o que chamamos de Livro da Lei.

          No fundo da humilde vida do justo, só são inalteráveis e imóveis a Justiça, a Confiança, a Benevolência e a Generosidade. A nossa missão como maçons neste mundo é espalhar os ensinamentos do Amor. Na realidade ela não tem donos, não é um negócio, não é uma profissão, muito menos privilegia monetariamente ou mesmo materialmente aos que na Ordem adentram. O que nos enaltece e nos privilegia são os nossos ensinamentos, tendo como princípio base o amor que nos abre os olhos para muitas verdades pacíficas e doces, e nos dá a oportunidade de conhecer, em um objeto único, o que não havíamos tido nem idéia, concebido em mil objetos diversos. E com isso se alarga nosso horizonte e mais se estende o alcance de nossos corações entre os Irmãos.

          Não chegaremos a ser verdadeiramente justos, senão no dia em que deveremos ser humildes ao buscar em nós mesmos o modelo da Justiça que, com certeza, se esconde no fundo de cada um de nós.

          A Maçonaria é para poucos, mas, estes poucos muito se esforçam em fazer o bem pela Humanidade.

          Sejamos então muitos em prol desse mesmo bem.    


O Pensamento Zoroastriano

Texto fornecido por: Onaldo Alves Pereira

Pesquisa Ir.: Jaime Balbino de Oliveira
Conta a lenda que Zoroastro ao nascer ao invés de chorar sorriu. Essa história traduz muito bem a visão positiva e alegre que ele tem do mundo e de seu destino.
O antigo sistema de pensamento de Zoroastro, com todos os seus desdobramentos filosóficos, políticos e religiosos, continua atual em seus desafios e surpreendente abertura para a renovação.
A busca de Zoroastro começou como a de muitos dos profetas de então e de agora.
Chocado com as contradições da sociedade de sua época e decepcionado com as respostas dadas pelo meio pensantes ele decide fazer a sua própria descoberta. Difere, contudo das dos outros, a sua busca, por não ter como desencadeante o problema da morte. Mas o do estado de convivência social injusto de seu tempo e contexto. É interessante notar, desde logo, que ele começou fazendo perguntas e terminou descobrindo algo que lhe ajudou a fazer mais perguntas ainda, sem necessariamente acompanha-las com respostas.
Zoroastro descobriu o que queria, não como uma revelação e nem como coisa privativa sua. Ele encontra o óbvio, o que está escrito nas páginas da vida e pode ser lido por qualquer um. Ele é uma pessoa comum que no esforço de seu intelecto e na sensibilidade de seu espírito consegue ver que este é um mundo bom, criado por um Deus bom e destinado a alegria radiante. Constatando isso, ele desenvolve uma resposta que tem tanto uma elaboração filosófica como conseqüências práticas para a vida.
A grande questão, colocada para ser resolvida por todos os sistemas filosóficos e religiosos, o bem e o mal, para Zoroastro se resolve dentro da mente humana. O bom pensamento ou boa mente cria e organiza o mundo e a sociedade, o meu pensamento ou má mente faz o contrário. Cabe ao ser humano fazer uma escolha e ele tem o poder e a capacidade de fazê-la.
O Cosmo inteiro está a seu favor quando escolhe a boa mente enquanto que a má mente isola e portanto, angústia aquele que por ela opta. Essa escolha é feita no dia-a-dia da pessoa, em cada ação. Ninguém pode fazer uma opção definitiva, essa é um mecanismo dinâmico e progressivo.
Essa escolha não desencadeia a salvação ou perdição de alguém, ela é parte de um processo de aprendizagem contínuo, aberto e reformável de acordo com o contexto. Com o progresso de cada indivíduo progride o mundo, é acelerada a criação do universo. O quadro só será completado quando todos tiverem chegado lá. É como numa orquestra, o concerto só é possível após cada instrumento estar afinado. Aliás, essa é a organização interna de todas as coisas em suas especificidades. A condição da parte garante o funcionamento do todo.
Essa descoberta de Zoroastro levou a conclusões inusitadas e revolucionárias. Acenou com uma nova organização social e uma nova religião.
A religião baseada no medo do mistério e no apaziguamento de suas forças através da magia e da expiação não fazia mais sentido. Ele descobrira uma religião da alegria participativa. Admirada diante do fato de ser feita parceira de Deus em seu projeto de mundo, através de um processo de livre escolha e colaboração, a pessoa responde com o cultivo de Boa Mente, de Boas Palavras e de Boas Ações. Essa é a ética da responsabilidade.
Esse esforço, que inicialmente é individual e continuará a sê-lo, recebe, contudo o poder transformador de Asha.
Asha é o princípio organizador de Deus o qual traz em si todas as qualidades, justiça, retidão, cooperação, verdade, bondade etc. Asha age no mundo, em todos os setores e especialmente, nas pessoas que lhe abrem a mente. Ela estimula, provoca, incentiva e capacita à escolha e prática do bem. Asha poderia ser comparada à tomada que nos conecta à energia vital e criativa de Deus.
As pessoas que vão descobrindo a capacidade que têm de fazer essa opção vão se unindo na descoberta natural de que são parte de um todo magnífico, que se forma em parceira com Deus.
Nesse sistema não tem lugar de destaque a fé ou a crença. Não é necessário crer, é preciso saber e agir de acordo com o que se sabe. Temos aqui então uma religião do conhecimento.
A visão de mundo de Zoroastro não coloca o ser humano como o centro, o motivo de ser do planeta. Antes, uma das tarefas dadas pelo pensamento de Zoroastro é que o ser humano ache o seu lugar no mundo de forma harmoniosa, de modo a não desequilibrar o meio.
Reverenciar e proteger a terra, a água, o ar e o fogo além dos outros seres viventes, é uma preocupação constante que aparece no pensamento gático.
Não há diferença de raças ou de gênero em Zoroastro. O Deus descoberto por Zoroastro não é tribal e não tem um povo escolhido dentre os outros povos. Tanto o homem como a mulher pode tomar a liderança, mesmo nos ritos religiosos.
Talvez o que haja de melhor em Zoroastro seja a abertura, quase desafio para se seguir adiante perguntando, descobrindo, mudando e tudo isso, num movimento dinâmico de progresso. Nada está fechado numa ortodoxia oficial. Em seus cânticos ele faz 93 perguntas sem respostas. Está ausente ali a arrogância de dono de uma verdade estática e acabada.
A doutrina de Zoroastro ensina a emancipação e a autonomia do indivíduo. Só a partir disso se torna possível a descoberta do outro como pessoa e conseqüentemente a criação de comunidade. Não há lugar nessa visão para qualquer anulação do ego. Antes, o ego é reafirmado e colocado como base do encontro com o outro. Se sadio e bem amado o ego forte é poderoso na capacidade de doação e desprendimento.
A sociedade é para ser organizada dentro desses princípios de livre escolha, boa mente e busca do bem de todos os seres.
Os líderes têm que ser escolhidos por serem justos e equilibrados.
Zoroastro, apesar das dificuldades que enfrenta em seu tempo e que, também desencadeiam sua busca, não vê o mundo como arruinado, do qual urge fugir e se possível salvar alguns. Antes, o mundo é uma obra em fase de acabamento ao qual somos convidados a unir criativamente nas nossas vidas. Essa visão de mundo provoca uma ética diferente da que dominou o mundo ocidental, que recorre à punição/recompensa como veículo principal de estímulo ou contenção. A prática profunda desse pensamento na sociedade não teria criado um sistema judiciário com prisões.
O ser humano não está contaminado pelo pecado, antes, pelo contrário, capacitado à escolher a boa mente e a construir um mundo diferente. Uma leitura de Zoroastro com essa abundância de negações não lhe faz justiça. O contexto judaico cristão onde estamos inseridos, porém nos obriga a usar esses termos, pelo menos num primeiro momento.
Resgatado e atualizado esse velho pensamento pode fornecer material para a ética que precisamos nesse nosso tempo. Ele é aberto, estimula o conhecimento e a pesquisa, é ecológico, inclusivo e pode ser também fonte de uma profunda e rica espiritualidade.

História do Início da Maçonaria no Brasil

O espírito maçônico na vida brasileira é bem anterior à implantação da Maçonaria como Instituição em nosso país. Em 1794, Dom Azeredo Coutinho, nascido em Pernambuco, onde foi Bispo, quando ocupava o cargo de Bispo de Elvas, em Portugal, dizia o seguinte: “Há quase um século principiou uma Seita com a mania de civilizar a África, reformar a Europa, corrigir a Ásia e regenerar a América”.

Este Bispo, escrevendo em 1794, dizia que a Maçonaria surgira em 1700, o que não estava muito longe da realidade. Dizia ainda o Bispo: “Há mais de trinta anos esta mesma seita principiou a espalhar a semente das revoluções para separar as Colônias das metrópoles, principalmente as de Portugal e da Espanha, as mais ricas do mundo”. É interessante destacar que o citado Bispo, no século seguinte, filiou-se à “seita” por ele combatida.
A História nos conta que em 1787 já fermentavam os ideais da Revolução Francesa, e que José Joaquim da Maia, nascido no Rio de Janeiro e estudante da Universidade de Montpellier, filho de um “Mestre Pedreiro”, servia de elemento de contato entre os Maçons brasileiros e Thomas Jefferson, então embaixador dos Estados Unidos na França, que tinha substituído  a Benjamim Franklin não só no cargo, mas também no trabalho de preparação das Lojas Maçônicas para a Grande Revolução de 1889.
Não se pode afirmar que naquela altura já existisse a Maçonaria organizada e institucionalizada no Brasil. Não existe nenhum documento que pudesse comprovar este fato. Entretanto, pode-se afirmar que na época já havia muitos maçons no Brasil.
Nos Autos de Devassa da Inconfidência Mineira, volume II, página 84 (Biblioteca Nacional – Rio de Janeiro – 1936) estão as declarações de Francisco Antonio de Oliveira Lopes, no seguinte teor: “Auto de perguntas feitas acerca de uma carta escrita ao ministro dos Estados Unidos da América Setentrional por um estudante do Brasil que se acha em Montpellier (não cita corretamente o nome do estudante, que refere como José Resende) que naquela cidade francesa conhecera dois sujeitos que se diziam ENVIADOS, um deles filho do Rio de Janeiro, ao pé da Lapa, e que estes foram mandados por certos Comissários daquela cidade a tratar com o embaixador da América Inglesa sobre um levante na cidade do Rio de Janeiro”.
No mesmo Auto, Domingos Vidal Barbosa declara: “Estava ele na Universidade de Montpellier, na qual também freqüentava os mesmos estudos o estudante José Joaquim da Maia, natural do Rio de Janeiro, filho de um MESTRE PEDREIRO”.
Segundo nos relata Varnhagem, havia então estreita ligação entre o “Clube de Coimbra”, isto é, a Loja Maçônica da Universidade de Coimbra, e os elementos maçons da Universidade de Montpellier.
Formado em Coimbra – em Ciências – José Álvares Maciel vai a Londres, onde entra em contato com a Maçonaria Inglesa. De Londres vais a Paris, onde recebe instruções da Maçonaria Francesa para o Brasil.
O Governador da Capitania era o Visconde de Barbacena, também formado na Universidade de Coimbra, antigo Secretário da Academia de Ciências de Lisboa, e que se filiara à Maçonaria na cidade das margens do rio Mondego – a cidade de Coimbra.
Informado da existência da conspiração de Ouro Preto por intermédio do “Irmão” Joaquim Silvério dos Reis, impediu que o movimento prosseguisse, porque ele pertencia à dita “Maçonaria Azul” a qual, sendo monarquista, defendia os interesses do Reino e, por extensão, os seus próprios, por ser o Governador da Província.
Lamentavelmente, já naquela época havia este tipo de divisão entre os maçons, tal como ainda hoje ocorre. É por isso que, por exemplo, a maçonaria americana combate a porto-riquenha, que luta pela libertação de Porto Rico da tutela norte-americana.
É quase certo que todos os conjurados tenham sido Iniciados na Maçonaria, porque era intenso o trabalho dos membros da “Maçonaria Vermelha”, ou seja, daqueles que sonhavam com a independência da pátria, os quais, em sua maioria, eram republicanos declarados.
Isto pode ser aventado em face da circunstância de que entre 1768 e 1788, vésperas da Inconfidência Mineira, havia cerca de 157 estudantes das diversas Capitanias luso-brasileiras que foram diplomados pela Universidade de Coimbra. Dentre estes, podemos citar: José Vieira Couto (Diamantina), José da Silva Lisboa (Bahia) que veio a ser o Visconde de Cayru; Antonio de Morais Silva (Rio de Janeiro), cujo dicionário da Língua Portuguesa é muito conhecido; Antonio Pereira de Souza Caldas (Rio de Janeiro) que foi sacerdote, orador e poeta; Francisco de Melo Franco (Paracatu – Minas Gerais) que escreveu a célebre sátira “Reino da Estupidez”; José Álvares Maciel (Vila Rica – Ouro Preto) que foi um dos doze brasileiros que se comprometeram, em reunião maçônica, a empregar todos os seus futuros esforços para alcançarem a independência do Brasil; José Bonifácio de Andrada e Silva (Santos – São Paulo) que dispensa maiores comentários, em que pese ser um dos que alinhavam na “Maçonaria Azul” (monarquia).
É preciso que entendamos que os inconfidentes eram vassalos rebelados contra a monarquia portuguesa e não contra Portugal porque todos eles eram cidadãos portugueses, alguns deles nascidos na Metrópole e outros já nascidos no Brasil. Há que se ter em conta também que nem todos os maçons comungavam as mesmas idéias revolucionárias. Existiam os republicanos “Vermelhos” e os monarquistas “Azuis”, embora em menor número.
No entanto, no movimento inconfidente, estas duas facções estavam unidas na revolução contra as tropas realistas, ou absolutistas.
Em meados de 1821, os deputados “Vermelhos” já tramavam nas cortes a retirada de Dom Pedro e a implantação de um sistema que favorecesse a instauração da República nas Províncias do Brasil, que se tornariam automaticamente independentes.
Deixando de considerar as discussões em torno dos posicionamentos de José Bonifácio, “Azul” e monarquista constitucional, e de Joaquim Gonçalves Ledo, “Vermelho”, republicano declarado, ficamos sem resposta para a seguinte questão: se os “Vermelhos” de Joaquim Gonçalves Ledo tivessem sido bem sucedidos, não teríamos o Brasil dividido em tantas Repúblicas quantas eram as suas Províncias?
Evidentemente, todas as conjeturas sobre o assunto não eliminam o fato de ter sido Joaquim Gonçalves Ledo o verdadeiro Patriarca da Independência, em que pese o devermos à energia de José Bonifácio a manutenção da unidade do Brasil. Foi a sua atuação que o levou a ser escolhido Patrono da Ordem Maçônica  no Brasil
Por outro lado, a Maçonaria no Brasil só pode ser realmente considerada como Instituição após a formação do Grande Oriente do Brasil.
A primeira informação oficial sobre a Maçonaria no Brasil foi veiculada pelo manifesto que José Bonifácio dirigiu aos maçons de todo o mundo, em 1832. Este documento histórico, redigido por Gonçalves Ledo, informa a instalação da Loja “Reunião”, a primeira Loja Simbólica regular brasileira, filiada ao Grande Oriente de França e que adotou o Rito Moderno ou Francês. No ano seguinte, 1802, vamos encontrar na Bahia a Loja “Virtude e Razão”, funcionando no mesmo Rito.
Adelino de Figueiredo Lima, baseado nestes fatos, afirmou que a Maçonaria Brasileira é filha espiritual da Maçonaria Francesa, acrescentando que da França veio o Rito Moderno, com o qual o nosso Grande Oriente atingiu a maioridade.
O Grande Oriente Lusitano, tomando conhecimento destes fatos, enviou ao Brasil, em 1804, um delegado que veio com o objetivo de garantir a adesão e a fidelidade dos maçons brasileiros. Todavia, este delegado não foi feliz no seu objetivo, dada a forma com que impôs as suas pretensões, e assim resolveu deixar fundadas duas novas Lojas, submissas à Potência lusitana. Foram as Lojas “Constância” e “Filantropia”.
Diante disso, desde o início foi semeada a discórdia no seio da Maçonaria no Brasil, culminando com desentendimentos que levaram as duas Lojas a “abaterem colunas”.
Na Bahia, no entanto, os maçons foram mais felizes porque, além da Loja “Virtude e Razão”, fundada em 1802, foram fundadas mais duas Lojas, “Humanidade” em 1807 e “União” em 1813. Isto permitiu a criação, em 1813, do primeiro Grande Oriente que, devido à Revolução de 1817, “adormeceu”, juntamente com as suas Lojas.
Em 1809 foi fundada em Pernambuco uma Loja que viria a servir de núcleo para mais outras três, permitindo assim a formação de uma Grande Loja Provincial, que por questões eminentemente políticas, também suspendeu as suas atividades, em 1817.
No Rio de Janeiro foi feita nova tentativa, com a fundação das Lojas “Distintiva” e “São João de Bragança”. A primeira, fundada em 1812 em São Gonçalo da Praia Grande (Niterói) e a segunda no Paço Real da corte de Dom João VI (Quinta da Boavista), sem o conhecimento do rei. Ambas tiveram também existência efêmera.
Finalmente, em 1815, com a fundação da Loja “Comércio e Artes” no Rio de Janeiro, à qual se filiaram inúmeros membros da antiga Loja “Reunião”, iniciou-se uma era mais sólida para a Maçonaria Brasileira.
A Loja Comércio e Artes somente conseguiu firmar-se definitivamente em 1821, depois de suplantar a perseguição imposta pelo alvará de 30 de março de 1818, de Dom João VI, que proibia o funcionamento das sociedades secretas, que, no caso, se resumiam à Maçonaria.
Vencidas as dificuldades, reuniram-se logo na Loja eminentes estadistas, políticos, altas autoridades e personalidades cujo pensamento predominante era o de lutar pela independência do Brasil. Pode-se dizer com segurança que o único trabalho da Loja, daí por diante, foi a campanha em prol deste objetivo.
A partir de então, tornava-se indispensável que a própria Loja se tornasse independente do Grande Oriente Lusitano. Assim, no dia 28 de maio de 1822, a convite do capitão João Mendes Viana, reuniram-se os maçons do Rio de Janeiro em sessão magna da Loja Comércio e Artes, com o objetivo de instalarem o Grande Oriente do Brasil. A exigência da existência de três Lojas, levou os Irmãos a fundarem mais duas Lojas nesta mesma sessão. São elas: a “União e Tranqüilidade” e a “Esperança de Niterói”.
Foi lavrada então a competente Ata de fundação do Grande Oriente do Brasil, que na época não teve Carta Constitutiva concedida por nenhuma outra Potência Maçônica.
O reconhecimento do Grande Oriente do Brasil como Potência Maçônica Regular veio a ser feito posteriormente pela Grande Loja da Inglaterra, mais de 100 anos depois. Mas isto é outra história.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
ASLAN, Nicola – Biografia de Joaquim Gonçalves Ledo – Tomos I e II – Edit. Maçônica – Rio de Janeiro
D’ALBUQUERQUE, A.Tenório – A Maçonaria e a Inconfidência Mineira – Editora Espiritualista – Rio
FERREIRA, Tito Lívio – A Maçonaria na Independência do Brasil – Tomos I e II – Gráfica Biblos – S. Paulo
LIMA, Adelino de Figueiredo – Nos Bastidores do Mistério - Editora “O Malhete”   2ª Edição  – S. Paulo
PROBER, Kurt – História do Supremo Conselho do Grau 33 do Brasil – Vol. I – Livraria Kosmos Editora – 1981 – Rio de Janeiro.


sexta-feira, 10 de junho de 2011

TIRADENTES, UMA FARSA CRIADA POR LÍDERES DA INCONFIDÊNCIA MINEIRA

Tiradentes e a Maçonaria

Algum irmão teria condições de desmentir o texto abaixo?


Guilhobel Aurélio Camargo

Colaboração Ir.'. Max.


Ele estava muito bem vivo, um ano depois, em Paris. O feriado de 21 de abril é fruto de uma história fabricada que criou Tiradentes como bode expiatório, que levaria a culpa pelo movimento da Inconfidência Mineira. Quem morreu no lugar dele foi um ladrão chamado Isidro Gouveia.

A mentira que criou o feriado de 21 de abril é: Tiradentes foi sentenciado à morte e foi enforcado no dia 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro, no local chamado Campo da Lampadosa, que hoje é conhecido como a Praça Tiradentes. Com a Proclamação da República, precisava ser criada uma nova identidade nacional. Pensou-se em eternizar Marechal Deodoro, mas o escolhido foi Tiradentes. Ele era de Minas Gerais, estado que tinha na época a maior força republicana e era um polo comercial muito forte. Jogaram ao povo uma imagem de Tiradentes parecida com a de Cristo e era o que bastava: um “Cristo da Multidão”. Transformaram-no em herói nacional cuja figura e história “construída” agradava tanto à elite quanto ao povo.

A vida dele em poucas palavras: Tiradentes nasceu em 1746 na Fazenda do Pombal, entre São José e São João Del Rei (MG). Era filho de um pequeno fazendeiro. Ficou órfão de mãe aos nove anos e perdeu o pai aos 11. Não chegou a concluir o curso primário. Foi morar com seu padrinho, Sebastião Ferreira Dantas, um cirurgião que lhe deu ensinamentos de Medicina e Odontologia. Ainda jovem, ficou conhecido pela habilidade com que arrancava os dentes estragados das pessoas. Daí veio o apelido de Tira-dentes. Em 1780, tornou-se um soldado e, um ano à frente, foi promovido a alferes. Nesta mesma época, envolveu-se na Inconfidência Mineira contra a Coroa portuguesa, que explorava o ouro encontrado em Minas Gerais. Tiradentes foi iniciado na maçonaria pelo poeta e juiz Cruz e Silva, amigo de vários inconfidentes. Tiradentes teria salvado a vida de Cruz e Silva, não se sabe em que circunstâncias.

Tiradentes, maçonaria e a Inconfidência Mineira: Como era um simples alferes (patente igual à de tenente), não lideraria coronéis, brigadeiros, padres e desembargadores, que eram os verdadeiros líderes do movimento. Semi-alfabetizado, é muito provável que nunca esteve plenamente a par dos planos e objetivos do movimento. Em todos os movimentos libertários acontecidos no Brasil, durante os séculos XVIII e XIX, era comum o "dedo da maçonaria". E Tiradentes foi maçom, mas estava longe de acompanhar os maçons envolvidos na Inconfidência, porque esses eram cultos, e em sua grande parte, estudantes que haviam recentemente regressado "formados” da cidade de Coimbra, em Portugal. Uma das evidências documentais da participação da Maçonaria são as cartas de denúncia existentes nos autos da Devassa, informando que maçons estavam envolvidos nos conluios.

Os maçons brasileiros foram encorajados na tentativa de libertação, pela história dos Estados Unidos da América, onde saíram vitoriosos - mesmo em luta desigual - os maçons norte-americanos George Washington, Benjamin Franklin e Thomas Jefferson. Também é possivel comprovar a participação da Maçonaria na Inconfidência Mineira, sob o pavilhão e o dístico maçônico do Libertas quae sera tamen, que adorna o triângulo perfeito, com este fragmento de Virgílio (Éclogas,I,27) Tiradentes era um dos poucos inconfidentes que não tinha família. Tinha apenas uma filha ilegítima e traçava planos para casar-se com a sobrinha de um padre chamado Rolim, por motivos econômicos. Ele era, então, de todo o grupo, aquele considerado como uma “codorna no chão”, o mais frágil dos inconfidentes. Sem família e sem dinheiro, querendo abocanhar as riquezas do padre. Era o de menor preparo cultural e poucos amigos. Portanto, a melhor escolha para desempenhar o papel de um bode expiatório que livraria da morte os verdadeiros chefes.

E foi assim que foi armada a traição, em 15 de março de 1989, com o Silvério dos Reis indo ao Palácio do governador e denunciando o Tiradentes. Ele foi preso no Rio de Janeiro, na Cadeia Velha, e seu julgamento prolongou-se por dois anos. Durante todo o processo, ele admitiu voluntariamente ser o líder do movimento, porque tinha a promessa que livrariam a sua cabeça na hipótese de uma condenação por pena de morte. Em 21 de abril de 1792, com ajuda de companheiros da maçonaria, foi trocado por um ladrão, o carpinteiro Isidro Gouveia. O ladrão havia sido condenado à morte em 1790 e assumiu a identidade de Tiradentes, em troca de ajuda financeira à sua família, oferecida a ele pela maçonaria. Gouveia foi conduzido ao cadafalso e testemunhas que presenciaram a sua morte se diziam surpresas porque ele aparentava ter bem menos que seus 45 anos. No livro, de 1811, de autoria de Hipólito da Costa ("Narrativa da Perseguição") é documentada a diferença física de Tiradentes com o que foi executado em 21 de abril de 1792. O escritor Martim Francisco Ribeiro de Andrada III escreveu no livro "Contribuindo", de 1921: "Ninguém, por ocasião do suplício, lhe viu o rosto, e até hoje se discute se ele era feio ou bonito...".

O corpo do ladrão Gouveia foi esquartejado e os pedaços espalhados pela estrada até Vila Rica (MG), cidade onde o movimento se desenvolveu. A cabeça não foi encontrada, uma vez que sumiram com ela para não ser descoberta a farsa. Os demais inconfidentes foram condenados ao exílio ou absolvidos.

A descoberta da farsa: Há 41 anos (1969), o historiador carioca Marcos Correa estava em Lisboa quando viu fotocópias de uma lista de presença na galeria da Assembléia Nacional francesa de 1793. Correa pesquisava sobre José Bonifácio de Andrada e Silva e acabou encontrando a assinatura que era o objeto de suas pesquisas. Próximo à assinatura de José Bonifácio, também aparecia a de um certo Antônio Xavier da Silva. Correa era funcionário do Banco do Brasil, se formara em grafotécnica e, por um acaso do destino, havia estudado muito a assinatura de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Concluiu que as semelhanças eram impressionantes.

Tiradentes teria embarcado incógnito, com a ajuda dos irmãos maçons, na nau Golfinho, em agosto de 1792, com destino a Lisboa. Junto com Tiradentes seguiu sua namorada, conhecida como Perpétua Mineira e os filhos do ladrão morto Isidro Gouveia. Em uma carta que foi encontrada na Torre do Tombo, em Lisboa, existe a narração do autor, desembargador Simão Sardinha, na qual diz ter-se encontrado, na Rua do Ouro, em dezembro no ano de 1792, com alguém muito parecido com Tiradentes, a quem conhecera no Brasil, e que ao reconhecê-lo saiu correndo. Há relatos que 14 anos depois, em 1806, Tiradentes teria voltado ao Brasil quando abriu uma botica na casa da namorada Perpétua Mineira, na rua dos Latoeiros (hoje Gonçalves Dias) e que morreu em 1818. Em 1822, Tiradentes foi reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira e, em 1865, proclamado Patrono Cívico da nação brasileira.